No meio do caminho tinha um vinho

Por ser uma bebida muito antiga, estar presente em quase todo o mundo e envolver em sua produção técnicas que beiram a alquimia, o vinho é capaz de despertar o interesse mais profundo em algumas pessoas, que terminam criando uma relação que vai além de simplesmente “beber vinho”.  

Difícil ver alguém tomando outra bebida e discutindo sobre aromas, terroir e técnicas de produção. O vinho é assim. Capaz de levantar questões ligadas a história, geografia, geologia, química e até filosofia. É certo que reúne alguns chatos, metidos a saber de tudo e que falam com superioridade sobre o assunto. Esses são, nos bastidores, classificados de “enochatos”. O verdadeiro amante de vinhos é aquele gosta de dividir a bebida, contar histórias divertidas sobre ela e “viajar” no tema simplesmente por prazer, sem soberba.  

Eu, por exemplo, me identifico mais com este segundo grupo. Acho que vinho tem que se tratado sem frescura. E foi assim que “esbarrei” na bebida, sem frescura. Na época de estudante, estava em uma taberna na Espanha quando me chega à mesa uma jarra de vinho. Um vinho da casa, servido em copos de vidro, sem nenhuma pompa nem circunstância. Mas que vinho encantador! E como combinou com a comida da casa!  

A partir daí, passei a prestar mais atenção na bebida. Vi que ela oferecia além do prazer da degustação um infinito mundo de questões ao seu redor. Esse “mergulho” na taça aconteceu primeiro com o provar, depois com o ler, passou para as cadeiras das salas de aula e terminou com o escrever. Jornalista de profissão, hoje o meu ofício é “escrivinhar”, ou seja, escrever
sobre vinhos.  

Essa paixão me levou longe. Conheci o solo onde são plantadas as uvas daquele determinado vinho, fiquei cara a cara com o castelo que estampa aquele conhecido rótulo, conversei com um punhado de “alquimistas” criadores da bebida, experimentei e descobri os mais diferentes aromas e
sabores. E ainda por cima, fiz e continuo fazendo muitos amigos.  

Para quem quer mergulhar nesse universo, deixo aqui algumas dicas:

– Experimente. Prove muitos vinhos, de diferentes estilos e nacionalidades.
– Leia bastante sobre o assunto.
– Quando puder, viaje. Conheça vinícolas, visite regiões produtoras.
– Tenha domínio sobre o vinho, mas não deixe que ele lhe domine 😉
– E para terminar, não deixe de acompanhar o  Escrivinhos.  

Saúde!

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